sábado, 24 de fevereiro de 2018

#Importante

Na próxima quarta-feira (28/02), a OIT e o Ministério Público do Trabalho realizarão em Brasília (DF) um seminário sobre saúde e segurança do trabalho para profissionais da saúde. O evento é voltado para profissionais e estudantes da área jurídica e da área da saúde e acontecerá no auditório da Procuradoria-Geral do Trabalho (PGT), a partir das 13h.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Há uma contextualização na hora de se comunicar, sabia???

Apenas palavras. Será?!


Por Alessandra Leles Rocha


Em plena pós-modernidade, eu não me canso de perguntar: Se fazer entendido pelas outras pessoas e em diferentes contextos é uma tarefa fácil? Para mim, a resposta é não. Apesar de todos os avanços tecnológicos presentes no mundo, a comunicação ainda persiste repleta de ‘ruídos’ intransponíveis, que se escondem no próprio ser humano.
Um deles é o fato inconteste da Língua ser um recurso vivo, na medida em que faz parte da cultura de um povo, ela está sujeita aos processos de transformação por ele sofridos. Então, ela caminha daqui e dali acomodando as demandas expressas pelos indivíduos, incorporando novos elementos; mas, sem perder à sua própria essência.
Mas, não é por isso que vamos fazer da Língua uma bagunça, não é mesmo? Por isso, existe a gramática para nos fornecer um padrão oficial, uma diretriz a seguir; sobretudo, em relação à língua escrita. O que não significa dizer, que todos são obrigados a seguir à gramática ao pé da letra em tempo integral; mas, entendendo que a Língua naturalmente vai sofrer variações mediante o contexto social ao qual está inserida. Ninguém aplica o mesmo modo de comunicação em todos os lugares. Há um jeito próprio de falar com a família, com os amigos, no trabalho, no clube... 
Portanto, há uma contextualização na hora de se comunicar, o que implica no bom senso de perceber o grau de formalidade ou informalidade necessário, inclusive, para que os outros sejam capazes de acompanhar a comunicação. A velha história de ‘falar ou escrever bonito’ não representa em nada o valor da Língua. Aplicar palavras ou ideias que não domina, ou encher de frases feitas um discurso, não torna ninguém um grande orador, um grande erudito.
É preciso as palavras corretas para o contexto correto. Nada de criatividades excessivas, de bizarrices fora de hora. O essencial é a clareza e a consciência do seu papel enquanto comunicador; sobretudo, quando se trata do contexto profissional. Para este pede-se além da formalidade essencial, o não esquecimento das especificidades linguísticas próprias de cada área. Se há um padrão normativo na comunicação institucional, ou na comunicação acadêmica, ou na comunicação jurídica, ou na comunicação científica...; então, saber aplica-lo é fundamental. Afinal, a comunicação não deixa de ser o nosso cartão de visitas, a nossa primeira impressão. 
Pena, que nem todo mundo pense sobre isso. Sob o pretexto de um mundo altamente acelerado, a comunicação parece cada vez mais fadada aos limites de caracteres impostos pelo mundo virtual; até mesmo, na comunicação verbal. As mensagens são expressas ou digitadas as pressas e repletas de uma linguagem abreviadamente truncada; como, se a Língua tivesse caído num abismo à parte do seu próprio mundo, em águas turvas de informalidade e incompreensão.
É cada vez mais trivial o ‘diz-que-me-disse’ por conta de procedimentos inapropriados para uma dada comunicação. Vão escrevendo, vão falando de qualquer jeito sem pensar, sem ordenar as ideias, sem mesmo considerar quem está na outra ponta do processo. E infelizmente, os erros e os eventuais equívocos, por conta dessa tal ‘instantaneidade’ do mundo pós-moderno, tornam-se mais evidentes; o que não deixa de ‘arranhar’ a imagem do comunicador. 
Diante de tudo isso, a questão não é ‘censurar’ a comunicação de ninguém, para que se evitem as gafes e os deslizes; mas, ponderar que para uma boa comunicação pede-se reflexão. Pede-se preparação. Pede-se saber o quê, quando e para quem falar. Porque, na verdade, falar de improviso é para poucos; nem todo mundo dispõe de tamanha habilidade e competência para se comunicar por aí. Mas, uma coisa é fundamental: conhecer a língua pátria. Ah, porque isso, isso é obrigação de todo bom cidadão, concorda?!



*Crônica publicada pela 1ª vez, em 16/02/2016, no http://www.paralerepensar.com.br/paralerepensar/texto_jornal.php?id_publicacao=40585.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Texto de Rachel de Queiroz. Revista O Cruzeiro, 11 de janeiro de 1947

Votar

Rachel de Queiroz


Não sei se vocês têm meditado como devem no funcionamento do complexo maquinismo político que se chama govêrno democrático, ou govêrno do povo. Em política a gente se desabitua de tomar as palavras no seu sentido imediato.
No entanto, talvez não exista, mais do que esta, expressão nenhuma nas línguas vivas que deva ser tomada no seu sentido mais literal: govêrno do povo. 
Numa democracia, o ato de votar representa o ato de FAZER O GOVÊRNO. 
Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta ato de obediência a um chefe, não se satisfaz uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo ou grupo de indivíduos que nos vão governar por determinado prazo de tempo. 
Escolhe-se pelo voto aquêles que vão modificar as leis velhas e fazer leis novas - e quão profundamente nos interessa essa manufatura de leis! A lei nos pode dar e nos pode tirar tudo, até o ar que se respira e a luz que nos alumia, até os sete palmos de terra da derradeira moradia. 
Escolhemos igualmente pelo voto aquêles que nos vão cobrar impostos e, pior ainda, aquêles que irão estipular a quantidade dêsses impostos. 
Vejam como é grave a escolha dêsses “cobradores”. Uma vez lá em cima podem nos arrastar à penúria, nos chupar a última gôta de sangue do corpo, nos arrancar o último vintém do bôlso. 
E, por falar em dinheiro, pelo voto escolhemse não só aquêles que vão receber, guardar e gerir a fazenda pública, mas também se escolhem aquêles que vão “fabricar” o dinheiro. 
Esta é uma das missões mais delicadas que os votantes confiam aos seus escolhidos. Pois, se a função emissora cai em mãos desonestas, é o mesmo que ficar o país entregue a uma quadrilha de falários. 
Êles desandam a emitir sem conta nem limite, o dinheiro se multiplica tanto que vira papel sujo, e o que ontem valia mil, hoje não vale mais zero. 
Não preciso explicar muito êste capítulo, já que nós ainda nadamos em plena inflação e sabemos à custa da nossa fome o que é ter moedeiros falsos no poder.Escolhem-se nas eleições aquêles que têm direito de demitir e nomear funcionários, e presidir a existência de todo o organismo burocrático. 
E, circunstância mais grave e digna de todo o interêsse: dá-se aos representantes do povo que exercem o poder executivo o comando de tôdas as fôrças armadas: o exército, a marinha, a aviação, as polícias. 
E assim, amigos, quando vocês forem levianamente levar um voto para o Sr. Fulaninho que lhes fêz um favor, ou para o Sr. Sicrano que tem tanta vontade de ser governador, coitadinho, ou para Beltrano que é tão amável, parou o automóvel, lhes deu uma carona e depois solicitou o seu sufrágio - lembrem-se de que não vão proporcionar a êsses sujeitos um simples emprêgo bem remunerado.Vão lhes entregar um poder enorme e temeroso, vão fazê-los reis; vão lhes dar soldados para êles comandarem - e soldados são homens cuja principal virtude é a cega obediência às ordens dos chefes que lhe dá o povo. 
Votando, fazemos dos votados nossos representantes legítimos, passando-lhes procuração para agirem em nosso lugar, como se nós próprios fôssem. 
Entregamos a êsses homens tanques, metralhadoras, canhões, granadas, aviões, submarinos, navios de guerra - e a flor da nossa mocidade, a êles prêsa por um juramento de fidelidade. 
E tudo isso pode se virar contra nós e nos destruir, como o monstro Frankenstein se virou contra o seu amo e criador.
Votem, irmãos, votem. 
Mas pensem bem antes.
Votar não é assunto indiferente, é questão pessoal, e quanto! 
Escolham com calma, pesem e meçam os candidatos, com muito mais paciência e desconfiança do que se estivessem escolhendo uma noiva. Porque, afinal, a mulher quando é ruim, briga-se com ela, devolve-se ao pai, pede-se desquite. 
E o govêrno, quando é ruim, êle é quem briga conosco, êle é que nos põe na rua, tira o último pedaço de pão da bôca dos nossos filhos e nos faz aprodecer na cadeia.
E quando a gente não se conforma, nos intitula de revoltoso e dá cabo de nós a ferro e fogo.
E agora um conselho final, que pode parecer um mau conselho, mas no fundo é muito honesto. 
Meu amigo e leitor, se você estiver comprometido a votar com alguém, se sofrer pressão de algum poderoso para sufragar êste ou aquêle candidato, não se preocupe. 
Não se prenda infantilmente a uma promessa arrancada à sua pobreza, à sua dependência ou à sua timidez. Lembre-se de que o voto é secreto. 
Se o obrigam a prometer, prometa.
Se tem mêdo de dizer não, diga sim.
O crime não é seu, mas de quem tenta violar a sua livre escolha.
Se, do lado de fora da seção eleitoral, você depende e tem mêdo, não se esqueça de que DENTRO DA CABINE INDEVASSÁVEL VOCÊ É UM HOMEM LIVRE. 
Falte com a palavra dada à fôrça, e escute apenas a sua consciência. 
Palavras o vento leva, mas a consciência não muda nunca, acompanha a gente até o inferno”. 

*Atenção!!! A redação é a da época em que foi publicado.